MINHA
RELAÇÃO COM A ESCRITA
Vou contar uma passagem para retratar minha relação com a
escrita. Recentemente participei de uma orientação técnica.
Nela estavam três
professoras do Ciclo I (eu sou uma delas) e o restante eram todos
formados em Letras,
ou seja, professores de Língua Portuguesa. Já no início do dia, foi solicitado
a todos que fizessem um desenho onde retratasse a nossa história com a escrita.
Muitos professores fizeram desenhos cheios de detalhes e de vida (ninguém era
desenhista), relatando posteriormente a explicação do mesmo. Algumas histórias
foram emocionantes, de fazer nossos olhos se encherem de água. Já meu desenho
foi um olho chorando, daí conclui-se que minha experiência com a escrita não
foi feliz. No decorrer da minha vida escolar tive excelentes professores, porém
nenhum que fizesse brotar a paixão por escrever, nenhum que me incentivasse e
mostrasse que sou capaz de escrever como qualquer pessoa. Nenhum que me
dissesse a importância da leitura na vida de uma pessoa, a transformação que
ela provoca nos campos de atuação da nossa vida e consequentemente na nossa
escrita. Mas não culpo a nenhum deles por não gostar de escrever. Apenas diria
que hoje tenho medo de escrever, penso mil vezes antes de escrever algo e
sempre acho que posso estar sendo “ridícula”, falha, incompleta, de não
conseguir expressar realmente aquilo que desejo. Às vezes escrevo algo e não
sei se condiz com o que foi solicitado....terríveis inseguranças. E essas
inseguranças surgiram e perduram até hoje. Tenho medo de estar cometendo algum
erro parecido com meus alunos. Para eu achar bom, ótimo um trabalho, o aluno
tem que escrever muito bem. Será que não está me escapando por entre os dedos
alguém que só precise de uma palavra, de um incentivo para se tronar um
brilhante escritor? Concluo dizendo que além de estar adorando fazer esse curso
ele também está me fazendo pensar muito sobre o meu trabalho com a leitura e
escrita em sala de aula.
Mônica Filomena Buzolin
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